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A convivência com a inflação impediu que
o brasileiro desenvolvesse o hábito de se preocupar com
a taxa de juros que paga nos financiamentos. Ele usa o cheque
especial ou endivida-se no cartão de crédito sem
a menor preocupação quanto aos juros que está
pagando no final de cada mês. O resultado quase sempre é
o aumento da inadimplência.
Existe uma brutal a diferença entre a taxa que o mercado
financeiro paga ao tomar recursos emprestados e aquela que cobra
ao emprestar o mesmo dinheiro. Os bancos tomam dinheiro emprestado
a uma taxa média de 16,5% ao ano e repassam a população
em taxas que chegam a 10% ao mês através de cobrança
capitalizada (10% sobre 10% sobre 10%...). Poucas atividades conseguem
uma remuneração tão exorbitante, abusiva
e criminosa.
O juros capitalizados, responsáveis pela inadimplência
do consumidor, são cobrados na maioria das operações
com cartões de crédito e cheque especial. A cobrança
consiste na aplicação de juros no mês seguinte
sobre o montante da dívida somado aos juros aplicados no
mês anterior. Com isso, o débito vai crescendo em
progressão geométrica, já que os juros vão
se transformando no capital da dívida a cada mês.
Cobrança é ilegal
Esta ilegalidade é desconhecida por quase a totalidade
dos brasileiros. A Lei da Usura estabelece a cobrança
máxima de 2% de multa sobre o valor da dívida e
1% de juros ao mês. Na Súmula 121 do STF consta
que " É vetada a capitalização dos juros,
ainda que expressamente convencionada". Ou seja, a justiça
acata ações em que o cálculo do saldo devedor
seja feita através do juros simples, não importando
a origem da transação, seja ela saldo devedor do
SFH, financiamento de veículos, arrendamento mercantil,
crédito bancário, cartão de crédito,
etc. Apesar da ilegalidade, instituições como cartão
de crédito, financiamento, cheque pré-datado continuam
agindo como se estivessem em um paraíso fiscal. Perdemos
apenas para a Turquia em termos de juros altos.
Outra forma usada pelas instituições financeiras
para estabelecer pesados ônus para quem precisa de seu dinheiro,
são a taxas que ganham várias denominações
a mais comum delas, a de administração. Os
devedores, vítimas de tais práticas abusivas, entram
num ciclo vicioso onde renegociam suas dívidas através
de juros altos que crescem como se fosse uma bola de neve, multiplicando
a divida em pouco tempo.
Instituições Financeiras dificultam a negociação
Por outro lado, os bancos e as operadoras dificultam ao máximo
fazer acordos preferem receber à vista ao invés
de optar pelo parcelamento. Parcelando a dívida eles não
tem garantia de recebimento. Muitos devedores não conseguem
quitar todas as parcelas da dívida enquanto os bancos têm
seguros que pagam o débito todo de uma vez.
A aCeba
no atributo de suas funções realiza diariamente,
em média, cerca de 25 atendimentos a cidadãos. Com
pouco mais de 1 ano de criada e praticamente 100% de vitórias
judiciais, a aCeba
já devolveu ao mercado 800 consumidores que estavam com
o nome sujo na praça por problemas com bancos, supermercados,
operadoras de cartão de crédito e prestadores de
serviços como água, telefone e luz. Se for contabilizada
as queixas contra bancos (cheque especial), financeira e prestadoras
de serviço, como Telemar, as ações totalizam
1,4 mil.
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